Meus sete dias de confinamento.

Minha crônica com tempo.

E de repente veio a ordem:

“Fique em Casa!”

No primeiro momento, não consegui entender a gravidade que esta frase queria dizer…

E vieram o primeiro e o segundo dia como se fosse um final de semana.

Quando chegou o terceiro dia, vi que não era segunda-feira, mas uma quinta-feira. Comecei a perceber o que estava sucedendo, não era somente eu que estava cumprindo a determinação: “Fique em Casa”! mas o mundo estava em pânico com o surgimento do Novo Coronavírus, o COVID 19, um monstro feroz, invisível e que em pouco tempo matou milhares de pessoas em todo o mundo.

A disseminação desse vírus foi se espalhando e tão rapidamente se instalou no Brasil e  levou muitos governos tomarem medidas drásticas para proteção da população.

No quarto dia, sai e fui ao terraço de casa, fiquei a observar o mar que estava à minha frente, um azul lindo… estava calmo, tranquilo, sereno. O mar não sabia por que a praia estava deserta.

“O mar não sabia por que a praia estava deserta.”

No quinto dia acordei bem tarde, os raios de sol invadiram meu quarto através da vidraça da janela, sai pra ver lá fora, ainda esfregando os olhos, e deparei com a estrela da manhã, brilhante, quente, espalhando vida.O sol não sabia por que a rua estava deserta.

No sexto dia, despertei com o cantar dos pássaros que em revoada cruzavam o céu azul anil, dançavam sobre as águas do mar, desfilavam sob a luz do sol, beijavam a flor que se abria. Eles não sabiam por que o pescador não estava lançado sua rede ao mar.

No sétimo dia, acordei intensa querendo trabalhar, inovar, produzir e fui para o meu computador começar um novo projeto, afinal, havia vida lá fora e embora um misto de incertezas, a esperança me impulsionava a prosseguir. Meu computador não sabia por que eu não desgrudava dele um só instante.

E vou seguindo em quarentena, aprendendo muitas coisas neste período tais como: administrar o tempo, repensar atitudes, rever conceitos, lembrar de detalhes importantes que não valorizei, o que deixei passar e o que perdi por falta de tempo, quando não pude estar com minha família, não pude atender a amiga, às vezes que não parei para abraçar, para agradecer, para falar com Deus, para louvar, o beijo frio sem tempo, e quando me faltou tempo para amar. “Eu não sabia que viver sem tempo, era desperdiçar o melhor do tempo”.

“Eu não sabia que viver sem tempo era desperdiçar o melhor do tempo.”

Fiquem em casa!  Ainda teremos muito tempo… que saibamos aproveitá-lo e da melhor forma.



Foto: Susie Merizio

1 Comment

  1. Uau! Tua crônica ficou um espetáculo. Amei.

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